quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O perigo da Net

Hoje em dia, conhecer pessoas na rede mundial de computadores, a tal Internet, está muito fácil, mas ao mesmo tempo, muito perigoso. Existem sites hoje, que são verdadeiros catálogos de mulheres e homens, para pessoas que procuram sua cara metade, amizades, sexo ou apenas bate-papo. Você busca por altura, peso, cor dos olhos, dos cabelos, profissão, grau de escolaridade, preferência sexual, faixa salarial, com fotos ou sem. Aí que mora o perigo.

Regra número 1 pra quem quer conhecer alguém na Internet: peça foto. Regra número 2: peça outra foto. Número 3: peça mais 5 fotos. É incrível como fotografia engana. A pessoa sempre manda uma foto toda preparada, as vezes até mexida nos Photoshop's da vida, deixando-as verdadeiras musas. O segredo é pedir a foto que está na identidade. Se ela estiver bonita nessa foto, pode ir fundo, ela realmente é linda!

Vou compartilhar com vocês uma das minhas experiências em conhecer mulheres na rede. Seu nome? JaNet. Um perigo de mulher.

Estava eu, belo e formoso, numa dessas salas de bate-papo com meu usual nick "DeBemComAVida-H" quando me deparei com uma simpática figura. Ela usava o apelido de Jujuba. Puxou papo comigo por causa do meu nick. Estava triste e veio me pedir ajuda. Eu, lindo e maravilhoso, como filho de uma boa psicóloga (um pouco traumatizado por isso, pois eu não podia sacanear com meus amiguinhos na infância que minha mãe já vinha com aquele papo: - Não faça isso meu filho, é projeção reativa, fica se projetando nos outros o que não sei o que e blá blá blá blá), bem, mas como cresci ouvindo conselhos de psicóloga, aprendi a dar alguns.

Papo vai, papo vem, a Jujuba me conta que estava chorando pois sua mãe havia lhe batido, que ninguém lhe compreendia, que era infeliz, etc. Eu, como meu real coração mole, fiquei chocado com a história, e na tentativa de reanimá-la, tive uma brilhante idéia. Prestem atenção no tamanho da besteira:

- JaNet, tive uma idéia, por que a gente não sai pra tomar uma cerveja? Assim você me conta o que está acontecendo, desabafa e volta pra casa melhor.
- Poxa Bruno, você faria isso por mim?
- Claro minha linda, com o maior prazer! Faz o seguinte (eu me lembrei na hora que eu era pobre e não tinha carro), por que você não passa aqui e me pega agora? Eu até iria aí, mas estou sem carro.
- Pode ser, mas eu preciso me arrumar antes, você espera?
- Claro amor, fica bem linda e cheirosa pra mim ta?
- (risos), vou ficar sim. Mas antes de confirmar, tenho que ver se minha irmã já chegou pra pegar o carro com ela. Quanto tempo você vai ficar sem carro?
- (engasguei) Bem linda, na verdade eu não sei, porque eu já estou há uns 20 anos sem e já até me acostumei a andar de ônibus sabe?
- Ah ta (acho que ela não entendeu, achei ótimo). Então ta bom, vou me arrumar.

Trocamos telefones, dei meu endereço (não completo, é lógico) e eu também fui tomar um banho. Pobre se arruma fácil. Homem principalmente. Bastou eu colocar uma roupa toda preta e despejar um grande tubo de leite de rosas que eu já me senti lindo e perfumado.

Comecei a pensar como ela seria, já que eu não tinha perguntado nada de suas características físicas, pois tinha realmente me comovido com sua história. Já imaginei aquela mulher escultural, e minha mente do mal começou a trabalhar: - Vou me aproveitar que ela ta triste e carente e vou agarrar bonito hoje!

Ela ligou, estava chegando, eu desci pra esperar. Já era relativamente tarde, por volta das 22h. Vi quando seu carro se aproximava. Um uno turbo, rebaixado. Pensei: - Humm, interessante! Patyzinha de uno turbo rebaixado, me dei bem!

Ela estacionou. A porta abriu, ela desceu. O uno não era turbo, muito menos rebaixado (o carro subiu uns 30 centímetros). Ela era imensa. Não era gorda, tinha apenas a estatura baixa proporcional ao seu peso. Era enorme, pros lados. Respirei fundo e pensei: -Agora fudeu!

Pensei em pegar a lanterna do meu chaveiro e sair andando fingindo ser um guarda noturno, mas não tive coragem. Encarei.

Conversamos uns 2 minutos fora do carro (já que eu fui covarde para dispensar a guria, não queria pensar na possiblidade de meus vizinhos me verem ao seu lado, então sugeri que saíssemos logo dali, justificando que estava tarde e era um bairro perigoso). Entramos no carro. Ela era tão grande, mas tão grande, que eu estava esmagado, colado na porta do passageiro e mesmo assim, quando ela ia passar marcha, seu enorme braço ficava encostando em mim.

Ela perguntou: - Onde vamos? Respondi: - Vai andando, sempre em frente! Rodamos a w3 norte inteira, conversando, falando besteiras. Ela pegou o eixo monumental em direção ao congresso nacional. Ela fez menção de parar o carro atrás do congresso (onde ficam dezenas de carros parados com pombinhos namorando), entrei em desepero:

- O QUE VOCÊ TA FAZENDO???
- Eu pensei em parar, pra gente bater papo, o que você acha?
- De jeito nenhum! Ta muito frio aqui pra ficar parado!
- A gente fecha o vidro.
- Ta doida? Eu to escutando o barulho do motor do seu carro, não ta muito legal não. Se a gente parar aqui, ele pode não pegar mais, daí vamos ter que chamar guincho, e isso vai acabar demorando. Trabalho amanhã cedo. Vamos continuar andando.

Bem, na medida que eu ia contando umas piadinhas, ela ia rindo e no auge da risada eu falava: -Vira a direita, rápido! Agora a esquerda. Quando ela menos percebeu, estávamos perto da minha casa.

Foi quando eu me livrei:

- Bem Jujuba, já que você está melhor, podia me deixar em casa agora né? Eu to com uma dor de cabeça danada. Só sai mesmo pra te ajudar.

Ela me deixou em casa. Nunca fiquei feliz em estar sozinho. Você devem estar pensando agora que eu fui um filha da puta não é? Eu sei, meu irmão, Alexandre, quando eu contei essa história pra ele, também me disse isso. Nosso diálogo foi mais ou menos assim:

- Bruno, você não presta! É um canalha, um ser vergonha!
- Mas Xandy, eu fiz um bem pra ela! Ela estava em casa chorando e voltou dando risadas!
- Que porra de bem o que! Você deu alguns minutos de descontração apenas. Ela deve ter voltado pior do que chegou! Você é um escroto! Eu te deserdo! Se ela fosse gata, gostosa, loira do olho azul, você não tinha dito que estava com dor de cabeça seu cachorro!
- Eu já conheci uma assim, Xandy! Desse jeitinho mesmo, gata, gostosa, loira do olho azul!
- Ah é? E o que você fez?
- Eu nada, mas ela disse que tava com uma dor de cabeça e foi embora!

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